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By Ferramentas Blog

Antropologia

Os Dois Princípios Básicos da Antropologia Teológica:
Arquitetônico e Hermenêutica

   Segundo alguns grandes teólogos são dois os princípios supremos em que se funda a pesquisa teológica: O Arquitetônico e o Hermenêutico.
O principio arquitetônico esta fundamentado na revelação destinado a servir de base e eixo ao ordenamento de todos os outros mistérios e eventos da história da Salvação. As obras arquitetônicas da salvação é a espinha dorsal da Bíblia. Deus arquitetou um plano de salvação mesmo antes que o homem pecasse, porque a rebelião do homem não pegou Deus de surpresa, diante da catástrofe do pecado Deus arquitetou meios de resgatar o homem novamente comunhão com ele.
O principio hermenêutico revela a verdade primária cuja luz o teólogo procura compreender e interpretar cada um dos aspectos da história da salvação. Através do plano de Deus para a salvação do homem, encontramos meios utilizados por Deus de como ele resgataria o homem definitivamente a comunhão com ele. O principio hermenêutico nos ajuda a compreender e interpretar estes planos divinos de salvação que culminou na pessoa de Jesus Cristo.
Segundo alguns teólogos, a maioria dos protestantes, os dois princípios são distintos apenas formalmente e não materialmente; é o mesmo mistério que serve de base ou centro de toda a estruturação da palavra de Deus e principio de sua interpretação.
Alguns autores, entre eles Orígenes, Clemente de Alexandria, São Tomas, Suàrez, Chenu, K. Rahner, Bultmann, Tillich, para eles os dois princípios não são distintos apenas formalmente, mas também materialmente; enquanto o principio arquitetônico vem da fé, o hermenêutico é tirado da razão. Segundo a visão teológica deste autores, a fé, que esta no principio arquitetônico, nos ajuda a entender e aceitar os planos divinos de Deus para a salvação de homem, não é algo aceito pelos olhos da carne, mas pelos olhos do espírito, e isto é pela fé. O Principio hermenêutico é tirado da razão, visto que é através dela que compreendemos a armação histórica do plano de Deus para a salvação da humanidade. O hermenêutico procura uma visão das coisas de onde deve partir, servindo-se destas na interpretação da mensagem revelada.
Segundo o teólogo Battista Mondin, os dois princípios são materialmente distintos e têm proveniência completamente diferente : O arquitetônico deriva da revelação, o hermenêutico da filosofia. Porém, em conta partida Paul tillich opõe-se a Karl Barth, que regeita a utilização da filosofia como principio hermenêutico, porque a teologia pressupõe em todas as preposições a estrutura do ser, suas categorias, leis e conceitos.
Lutero e Calvino, os reformadores, eram dois adversários ferrenhos de qualquer emprego da filosofia na interpretação da palavra de Deus. Segundo Karl Barth, mesmo os dois grandes reformadores não puderam ler as escrituras sem o auxilio dos óculos da filosofia.
O principio arquitetônico originou-se da revelação, porque se fosse deduzido da filosofia, e se fossem incorporados muitos dados bíblicos no sistema, o conjunto só poderia ser uma visão filosófica, e não mais a autêntica teologia.
O principio hermenêutico, pelo contrário, deve ser de proveniência filosófica, pois a teologia se propõe esclarecer a fé à luz da razão e fazer a razão adquirir maior compreensão da fé. Tal objetivo, obviamente, não e alcança pelo acréscimo de algum outro mistério aos já conhecidos. Fé mais fé não pode dar outro resultado senão fé. Por outro lado, é olhando a fé à luz da razão que se adquire alguma inteligência da fé. A razão dispõe de uma tríplice forma de conhecimento: ordinária, cientifica e filosófica. Destas, as mais importantes para a inteligência da fé são a primeira e a ultima. Pelo conhecimento ordinário, que não é sistemático nem profundo, chega-se à compreensão da fé que é própria de todo cristão. Em relação a fé, que é a teologia, não se desenvolve paralelamente à fé; é uma forma intensiva de realizar o próprio ato de fé, que não exige somente o ato de crer, mas também a inteligência da fé, e isso porque a fé abrange o homem todo, inteiro, empenhando-lhe as faculdades e, portanto, necessariamente,o espírito, o poder de interrogar e de pensar.
Pode-se concluir o mesmo em relação ao principio arquitetônico. Uma vez que existem muitos mistérios centrais e fundamentais da história da salvação, o teólogo tem a possibilidade de escolher entre vários princípios arquitetônicos.
A determinação dos princípios supremos da teologia tem muita importância para a vida do teólogo, que recebe os efeitos das indicações precisas de comportamento, tanto do principio arquitetônico quanto a do hermenêutico. O princípio arquitetônico diz respeito a um mistério fundamental da revelação, que brilha na mente do teólogo, e lhe faz o coração tremer de emoção e alegria. Dada a sua natureza espiritual e sobrenatural por excelência, constituindo a ponte entre Deus e o homem, o principio arquitetônico exige do teólogo uma vida de incensa espiritualidade, meditação assídua e fervorosa oração. O principio hermenêutico por outro lado prende-se a uma perspectiva filosófica, que leva a história da salvação do homem. Trata-se de um elemento especialmente cultural, que exige estudo assíduo, competência, sensibilidade para os movimentos do pensamento, e para as instâncias do próprio tempo. O principio hermenêutico fez do teólogo um homem de estudos, e o mesmo se não dedicar muitas horas ao estudo e a pesquisa só poderá fazer obra de diletante.
Assim os dois princípios sobre os quais se funda toda a atividade do teólogo é arquitetônico de origem bíblica, e o hermenêutico de origem filosófica, e o teólogo para cumprir sua missão de intérprete entre Deus e os homens, deve ser homem de estudo e oração.

A relação entre a Antropologia e a Soteriologia

A palavra Soteriologia vem do vocábulo grego soteria e significa salvação, libertação de um perigo eminente, livramento do poder da maldição do pecado, restituição do homem à plena comunhão com Deus. A salvação do ser humano é obtida pela graça, ou seja, é um dom gratuito e imerecido que o pecador recebe, Ef 2: 8-9. A Soteriologia é a área da teologia sistemática que trata da doutrina da salvação humana. Os Arminianos crêem que Deus, em seu infinito amor e misericórdia, destinou todos os homens à salvação. Os Calvinistas crêem que Deus não destinou todos os homens à salvação, visto que é fato nem todos se salvarem. Neste caso Cristo morreu apenas pelos seus eleitos. Estes ouvirão o chamado irresistível do Espírito Santo e se renderão a Cristo, sendo então justificados tão somente pela graça de Deus. Em virtude do pecado de adão a condição de pecador se estendeu a toda raça humana (depravação total). Portanto, o homem peca porque é pecador (tem a natureza do pecado) e não é pecador porque peca (ato do pecado). Sendo assim a partir desse momento, o homem necessitava de um plano de salvação para que pudesse ser restaurado à imagem e semelhança de Deus. O plano de Deus para a salvação do homem consistiu em Cristo morrer pelos eleitos, para que por sua graça, houvesse remissão dos pecados.
Não cabe ao homem qualquer parte no plano de salvação, toda a iniciativa e realização são Deus. É ele quem muda a disposição de um coração morto e obstinado pelo pecado, transformando-o em um coração sensível à sua voz. Nesta condição o homem só pode dizer sim a chamada à salvação. Um salvo deve viver como tal. Quando João 19:30 diz “Esta consumado”, que é a expressão grega tételestai, ele quer dizer que tudo esta pago. Isto representa a salvação para o cristão. Todos fomos comprados no calvário. Abrange cada fase de nossas necessidades e dura de eternidade e eternidade. Inclui a libertação do pecado no presente e a apresentação contra as invasões do pecado no futuro, Tt 2: 11-13. Então, vejamos em detalhes suas fases: salvação: arrependimento, fé, conversão, regeneração, justificação, adoção e santificação.


Arrependimento

Arrependimento é o ato pelo qual a pessoa reconhece o seu pecado e o abandona, confessando-o a Deus. O arrependimento é diferente do remorso. Por exemplo: João e Pedro colam na prova escolar. João confessa, pede perdão e aceita a punição. Isto é arrependimento. Pedro é surpreendido pelo professor, tem remorso e no coração diz que na próxima prova, se tiver oportunidade, vai colar novamente.


No idioma grego, língua em que foi escrito originalmente o novo testamento, há duas expressões para a palavra fé: pistis - uma crença ou convicção intelectual; uma completa confiança em Deus, ou mais particularmente, em Cristo, com vista à redenção do pecado; pisteuein – confiança plena em Deus. Há dois tipos de fé: a fé salvadora e a fé como um dom.


Conversão
O termo grego para conversão é metanóia, ou seja, mudança de mente e transformação. A conversão cristã é o ato pelo qual a pessoa se volta do pecado
para Jesus Cristo, tanto para obter perdão dos pecados, como para se libertar deles. Isso inclui livramento da pena do pecado. A conversão está intimamente ligada ao arrependimento. O arrependimento produz tristeza pelo pecado, já a conversão produz alegria por causa do recebimento do perdão e livramento da pena do pecado. O arrependimento nos leva a cruz. Já a conversão nos leva ao túmulo vazio e ao Cristo ressurreto.


Regeneração ou novo nascimento

O sentido etimológico da palavra regeneração vem do vocábulo grego paliggenesia e significa novo nascimento ou nascer de novo. Refere-se a uma nova criação. Regeneração é uma mudança sobrenatural e instantânea operada pelo Espírito Santo na natureza da pessoa que recebe Jesus Cristo como salvador. Regeneração não é uma reforma no ser humano. Essa reforma pertence ao plano humano, a regeneração, ao divino. A reforma é algo ligado ao exterior; já a regeneração é a mudança interior, que vem de dentro. A reforma afeta a conduta, já a regeneração modifica o caráter, Tt 3: 5.


Justificação

A palavra justificação vem do verbo grego dikaioo e significa declarar que uma pessoa é justa, tornar justo. Já o substantivo dikaiósis significa justificação, que é o ato da graça divina pelo qual Deus declara justa a pessoa que põe sua fé em Jesus Cristo como seu salvador. No caso da pessoa justificada, ela é isentada, não porque não mereça punição, e não pelo fato de já não mais carregar a lembrança de sua cupa, mas porque as exigências da lei divina foram satisfeita. Outra pessoa tomou o lugar dele e padeceu a execução destinada a ele. A lei não tem mais o que alegar contra ele. Na justificação, Jesus literalmente assumiu as nossas dívidas e pagou por nós:”Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso senhor Jesus Cristo”, Rm 5: 1; “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito”, Rm 8: 1; “havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”, Cl 2: 14.


Adoção de Filho
Adoção é o ato da graça de Deus que toma como filhos àqueles que aceitaram a Jesus Cristo, concedendo-lhes os direitos e privilégios de Jesus. A adoção é uma mudança de nossa ordem e posição de mera criatura, para Filho:
“Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor”, Cl 1: 13.

As características humanas da Teologia Antropológica

“A tarefa fundamental da teologia é estabelecer uma clara sintonia entre a mensagem da salvação, e as instâncias, a mentalidade, a visão das coisas, a linguagem, os problemas humanos de determinado momento histórico, e de um dado ambiente cultural. Mas já que a cada século o mundo se transforma, e as missões trazem constantemente para o cristianismo novos territórios de culturas diversas, o problema permanecerá aberto. Cada época deve, portanto formular de novo a profissão de fé, e a teologia entrar em confronto com o mundo particular ao qual dirige.” Culmann – vero e falso ecumenismo, Morcelliana, Brécia, 1972, pp 37-38.
O homem moderno como ser dotado de corpo e vida, inteligência, cultura e linguagem, não se pode distinguir do homem das épocas precedentes por se tratar de características essenciais. Dentre muitas características no homem moderno as mais significativas são: Antidogmatismo, Liberdade, Secularização, pragmatismo, historicidade, antimetafisicismo, desorientação, alienação e opressão, contestação, perversão e frustração.


Mutabilidade – Características peculiar no homem contemporâneo, sendo este inconstante e instável.
Antidogmatismo – Hostil contra qualquer forma de verdades, princípios, normas absolutas, principalmente a partir do século do iluminismo, tornando-se cada vez mais rebelde a aceitar qualquer afirmação ou verdade que não venha de si mesmo.
Liberdade – O homem moderno sente-se livre em todas as manifestações de sua vida política, social, religiosa, moral, econômica e etc.considera-se como essencialmente livre, a liberdade é o seu próprio ser.
Secularização – A secularização admite não fazer Deus intervir na explicação do universo, e nos acontecimentos que dizem respeito ao mundo e ao homem.
Pragmatismo – É conduzido pela ação, o que o atrai e o absorve é o fazer, produzir, trabalhar. A razão não exerce mais a função de perceber, mas a de produzir.
Historicidade – O homem é histórico, para ele a realidade está em contínuo movimento, e nunca tem nada de definitivo e estável, duradouro além de certo limite.
Antimetafisicismo – Só se interessa os resultados, é realista. A metafísica não pode apresentar resultados, não produz bens de consumo, não garante o bem-estar.
Utopia – Levada pelo progresso técnico e científico e por um bem estar maior, alcançou uma visão otimista e cheia de confiança no futuro, sendo assim seguro de si em suas ações e anseios.
Socialização – O homem é um ser essencialmente político e social. Bem ou mal vivemos na época do planejamento, da assistência social, da copropriedade.
Anonímia e massificação – A socialização desemvolveu no homem alguns caracteres positivos como a solidariedade, mas também negativismo como a anonímia e massificação. Mas a socialização conduz muitas vezes a massificação, onde é arrastado pela massa, prevalecendo os interesses da massa e da produção. E quanto a anonímia o individuo desaparece na massa.
Desorientação – O homem moderno é desorientado e inseguro, “Ninguém mais chega a consensos em relação aos valores, não há mais consenso, só existe caos, um caos absoluto.” Sidney Callahan.
Alienação e Opressão – Que a humanidade se encontra em grande parte em estado de servidão, de alienação e de opressão não é só de nosso tempo. Desde o principio o homem construiu um mundo de divindades e seres demoníacos que lhe explicasse o estado de escravidão por causa da ignorância. Hoje o homem moderno não obstante de toda sua opulência, ciência, saber, poder, técnica, encontra-se mais do que nunca sob o peso enorme e insuportável de uma capa opressiva: a fome, sede, miséria, sexo, necessidades supérfluas, meios de comunicação que muitas vezes em vez de veículos de informação, são instrumentos de deformação, em lugar de portadores de verdades, são pregoeiros de falsidade, portanto oprimido pela falsidade, mentira, engano, violência, pelo trabalho, e uma significante lista de itens que poderíamos acrescentar.
Contestação – Neste estado de opressão o homem mais do que nunca tem consciência da necessidade de libertação. Daí a contestação maciça da sociedade atual em todos os seus aspectos e estruturas, e inúmeras propostas de reforma e de revolução.
Perversão e Frustração – O homem tornou-se escravo dos próprios instintos: egoísmo, prazer, inveja, sensualidade, mentira, avidez, fraude, e recorre a qualquer meio para satisfazer suas múltiplas paixões. Pouco importa se desse modo arruína as belezas da natureza, ofende o próximo, lesa direitos, e as vezes o próprio direito a existência e ate a dos filhos.


Santo Agostinho, profundo conhecedor da alma humana exclamava “Grande mistério é o homem”, e diante da atualidade do homem moderno sua afirmação adquire força ainda maior, todavia o homem não se encontra por força de sua própria natureza em estado de oposição radical a Deus, está aberto para Deus e é por ele atraído, o homem tende para Deus e é sensível a sua palavra, e em sua totalidade exerce a função de sujeito hermenêutico da palavra de Deus. Esta verdade mostra a importância e a necessidade para o teólogo de elaborar uma antropologia, que se limite a elucidar fenomenologicamente alguns fragmentos do ser humano, mas lhe explore filosoficamente, em profundidade, todo o ser, em sua natureza e em sua pessoa. Só então o teólogo disporá de um instrumento hermenêutico adequado para apresentar, de modo inteligível, integrar e interessante, a mensagem da salvação ao homem moderno.


O que é o homem na Teologia Contemporânea, na Filosofia, e no Conceito Bíblico?

.O Homem na Teologia Contemporânea: Na teologia Contemporânea o homem posiciona-se no teocentrismo e cristocêntrico, e hoje se congrega partidários de uma colocação antropocêntrica mais oportuna em nosso século.
.O Homem na Filosofia: Para a Filosofia há vários séculos o homem está no centro da reflexão filosófica, ele é o centro em torno do qual gira todo o raciocínio filosófico, e a porta de ingresso ao estudo de qualquer problema. A colocação antropocêntrica tem sido a característica constante do filosofar.
.O Homem no Conceito Bíblico: No conceito Bíblico, é para o homem que Deus dirige seus gestos de amor, ele não é apenas o destinatário da revelação, mas também é o argumento.


Conclusão

É necessário que o estudante de teologia venha a conhecer os dois princípios básicos que fundamenta o estudo da antropologia teológica para uma boa interpretação das Sagradas Escrituras, visto que um depende do outro.
Ao conhecermos a relação entre teologia antropológica e a soteriologia fica mais coerente adequar a mensagem cristã à perspectiva de um determinado ambiente cultural, é uma exigência de Deus que a sua palavra seja anunciada a todos os homens independente de sua cultura.
A missão do teólogo compreende em fazer com que a palavra de Deus seja interpretada de acordo com verdade nela contida.
Jesus veio para salvar todos os homens, é fundamental que tenhamos tal convicção, porque Bíblia garante que podemos ter tal convicção.
O estudo dos dois princípios supremos da teologia, da soteriologia, das características humanas descrita pela teologia antropológica e estudar o homem na teologia contemporânea, na filosofia e no conceito Bíblico, nos fornece a confirmação de uma norma já conhecida novamente reforçada: O teólogo, para cumprir sua missão de intérprete entre Deus e os homens, deve ser homem de estudo e de oração.

Diego Natanael
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